Publicidade

CDL Bela Vista de Goiás

BELA VISTA – UM SONHO DE TODOS (por Gercimon Benedito Gomes e José Francisco Teles)

 

( Praça da igreja matriz em construção )

     O impossível na vida é tudo aquilo que não é sonho de ninguém. Em Bela Vista de Goiás, as causas impossíveis sempre ficaram fora dos ideais de seus habitantes. É uma terra fértil, fascinante e cheia de homens sonhadores. Ainda pacata com uma casinha aqui e outra ali, quase sem nenhuma rua, ou simplesmente uma imensidão de horizontes para crescer, no pinguinho de cidade já transitavam cabeças pensantes e cheias de sonhos para o desenvolvimento. Várias lutas foram travadas, houve vitórias e derrotas, brigas e concordâncias, demandas e acordos. Às vezes paravam, mas suas paradas não eram para sempre, eram para um simples descanso. Tudo foi importante para o crescimento da nossa cidade, da nossa gente. Mas acima de tudo, o que sustentou a caminhada desse povo foi sonhar em conjunto. Eles não sabiam, mas em suas veias já corriam o sangue da fé, da união do bairrismo e do cooperativismo. Sonharam, sonharam juntos. Trabalharam, trabalharam juntos. Becos, ruas e avenidas apareceram. Educação, cultura lapidada, organização política e religiosa, saúde, sindicatos, associações, povo se organizando... Tudo isso contribuiu para o tempo de hoje. Talvez não possamos chamar esse tempo de tempo novo, porque a evolução não para. Os homens nunca deixarão de sonhar. É uma luta contínua. Pais vão, filhos chegam. Sonhos, desenvolvimento, Bela Vista grande.

     Mas para contar a história de Bela Vista de Goiás, cidade que hoje é destaque entre as mais desenvolvidas do Estado, seria necessário espaço de tempo e de escrita para fazer um relato completo. Já não basta mais falar apenas daquele repetido histórico, dos doadores de terra, da primeira capela de orações, das primeiras casas, do povoamento... Por isso, devido ao pequeno espaço aqui reservado, iremos apenas traçar um pequeno relato de como surgiu o comércio em Bela Vista de Goiás.

     Em 1869 a localidade já contava com casa de comércio, sendo seu primeiro comerciante o Sr. Luiz José de Siqueira, mineiro, natural de São João Del Rey. Vinha de Bonfim onde, ao menos entre 1863 a 1866, manteve comércio de porta aberta de ferragens e armazém. A partir de 1869 outros estabelecimentos foram aparecendo como lojas de fazendas, secos e molhados, com os comerciantes Joaquim Gregório da Silva Lima, Antônio Cândido da Costa, Antônio Amaro Silva Canedo. Ainda os benfeitores Vicente Ferreira da Silva (Vicentão) na categoria de mercador de sal. Os primeiros manteriam lojas abertas até a década de 1890, a exceção de Luiz José de Siqueira cujo filho, João Agostinho de Siqueira daria continuidade a atividade do pai até meados do séc. XX. A cultura do tabaco era a mais desenvolvida do Estado, a excelência do fumo de Bela Vista, conhecido pelo nome de Silvério Lemes da Silva, o mais apreciado do Brasil e no mundo inteiro, a cultura do café, a expansão da cana de açúcar, o aperfeiçoamento da indústria da pecuária, a aquisição de reprodutores de boa raça, a criação do gado zebu e seu cruzamento, a abundância de madeiras de construção encontradas nas gigantes florestas que eram serradas em vários engenhos de serra espalhados pela região, contribuíram para incentivar a explosão da nossa economia e incentivar novos investidores. Nessa época, final do séc. XIX e início do séc. XX surgiram como grandes criadores de gado Antônio Ribeiro da Silva, José Basílio Ribeiro, Olímpio de Araújo Melo, Vicente Ferreira da Silva, Guilhermina de Araújo Canedo, Luduvina de Araújo Moraes.

 

( Lavoura de Fumo )

 

     No final do séc. XIX o viajante Oscar Leal descreve Suçuapara (nome anterior de Bela Vista de Goiás) assim:

 

“Sussuapara é uma povoação em via de prosperidade. Tem uma capela erecta no alto da colina e um chafariz que abastece de água a população que consta apenas de 400 habitantes. Ao redor da povoação há magníficas lavouras de fumo, café, milho e gêneros alimentícios, assim como magníficos campos, nos quais se dá a criação de gado. No arraial existem quatro boas lojas de fazendas e molhados, várias baiucas, um bom rancho, uma escola pública bem frequentada e uma agência de correio.”

 

   

 O tempo foi passando e o comércio na cidade foi crescendo muito chegando ao ponto de se destacar como a principal fonte de arrecadação do novo Município. Esse momento coincidiu com a chegada de várias famílias com idéias promissoras e com grandes sonhos para a evolução da terra nova. Por volta de 1910 chegou Felipe Abraão, e, com seu dom para o comércio montou sua loja de tecidos, armazém, ferragens e outros. Esse comércio foi passando de geração a geração. Em 1954 D. Nazira, filha de Felipe, juntamente com o esposo Miguel Skaf e o irmão Geraldo Felipe assumiram a loja. O sucesso deste comércio foi tão grande que ele ainda existe até hoje. Encontra-se sob o comando de Ricardo Skaf e Cristina Skaf, netos do pioneiro Felipe Turco. Mais tarde chegaram outros conterrâneos de Felipe que também contribuíram para a formação e o enriquecimento, não só da nossa economia, como também da sociedade bela-vistense. Podemos citar João Skaf, o nosso querido João Turco que fez história com o Armazém São João que ficava na esquina da serraria do Zezinho do Maurílio. Hoje sua família, comandada pelo Willian Hanna, trabalha com muita sabedoria na área de alimentação. Quem não se lembra do Armazém do Sebba ali em frente do Grupo Escolar? Encontrava-se de tudo em secos e molhados. Falando do Sebba, lembramo-nos do Jorge seu irmão. Com o bar acima da igreja,fez muito sucesso com a venda de figurinhas, ali era parada de ônibus e havia uma televisão que ficava o tempo todo ligada. Posteriormente o Joãozinho do Cândido assumiu o seu comando. Na rua Normanda Teixeira até hoje existe sinais do comércio do Zé Jorge. Quem passar por ali ainda pode matar a saudade de um tempo que não volta mais, vendo a velha casa, as prateleiras, balcões, a balança e algumas garrafas empoeiradas. Casa Amorim, era de propriedade de Antenor de Amorim, um homem promissor que veio de Pirenópolis para fazer história em Bela Vista, tanto no comércio como na política. Uma das atividades mais importantes daquela casa de negócios, além de secos e molhados, era a exportação do fumo bela-vistense empalhado para São Paulo. Ainda ligado às famílias pioneiras do nosso comércio, funcionou na Praça José Lobo por muitos anos a loja do Benjamim Bonifácio.

Os primeiros aparelhos de rádio existente em Bela Vista foram comercializados lá. O legado das famílias Carneiro, Umbelino, Bueno e Arantes também contribuíram muito no desenvolvimento do comércio da nossa cidade. Lembramos também da loja do Antonim Carneiro (assim era chamado pelo seu avô) e posteriormente Loja do Barroso, seu filho, onde comprava a capa para cavaleiro da marca Ideal e chapéu Prada; Farmácia do Geraldo Carneiro que passou para seu filho Fernando Carneiro; Farmácia do Laert que até hoje se encontra no comando da família, através de sua filha Maria Lúcia. Na época do Natal as crianças ficavam encantadas com o brilho das luzes da Loja do José Umbelino. O sonho de um brinquedo era concretizado ali na presença hospitaleira do Zé e da Dona Bárbara. O Nego Bueno foi um comerciante marcante pela alegria com que atendia seus fregueses. Trabalhava transmitindo a felicidade, pois amava o que fazia. O Hotel Arantes de propriedade de Domingos Arantes marcou época no início do séc. XX. Era uma acolhida fraterna que atraia vários viajantes que passavam pela região. São muitos os comércios importantes na vida de Bela Vista de Goiás e todos com histórias gostosas de contar e ouvir, mas o espaço é pequeno para todos os relatos. Assim vamos fechar os olhos, viajar no tempo e andar pelas ruas relembrando lojas, vendas, bares,e... Armazém do Osvaldo, Ardibra, Cedrim, João André, Dolor Prego, Joaquim Bonifácio, Irineu de Paula, Chiquinho Ferreira, João Alves, José Marães, Nenzico, Job da Roselândia, Seu Miro na Conceição. Lojas Pernambucanas, Waldir Rossi, Miguel Costa, Afonso Piniculino, Zuramelo. Pensão Pérola do Sul e Pensão Santa Terezinha. Bar do Macaúba, Tabacaria 007, Bar do Bregogé no centro da Praça José Lobo; o Mercado Municipal com vários comércios, como, bar do Valdir Peixoto, Peg e Pag do Urano, Peg e Pag do João Pontes... E o comércio de hoje? Esse está aí estampado em nossos olhos. Sua evolução anda em velocidade disparada. Seu registro fica para as gerações vindouras que, num amanhã, certamente contarão a história que os homens de hoje estão construindo...

 

      ( Praça Getúlio Vargas  1940)

Publicidade