Dólar fecha abaixo de R$ 4, com expectativas sobre juros nos EUA e no Brasil

O dólar fechou em queda nesta segunda-feira (28), acompanhando o cenário externo, em semana marcada por reuniões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos.

A moeda norte-americana caiu 0,39%, a R$ 3,9924. Foi a primeira vez desde o dia 15 de agosto que o dólar terminou o dia abaixo do patamar de R$ 4.

O mercado aguarda a próxima reunião do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) para decidir o rumo da taxa de juros dos Estados Unidos.

Segundo a Reuters, os juros futuros dos EUA indicavam que operadores veem 86,1% de chance de o Fed cortar os juros para um intervalo entre 1,50% e 1,75% em sua próxima reunião, de acordo com a ferramenta Fedwatch do CME Group.

O mercado monitora pistas sobre o rumo dos juros nos Estados Unidos porque, com taxas mais altas, o país se tornaria mais atraente para investidores. Isso motivaria uma tendência de alta do dólar em relação a moedas como o real. Mas se, ao contrário, o Fed decidir não aumentar os juros agora, recursos aplicados em outros mercados, como o brasileiro, tendem a não migrar para aos Estados Unidos, o que afastaria essa pressão de alta do dólar em relação a outras moedas.

O dia também é marcado pela repercussão das eleições na Argentina, mas a notícia não teve grandes efeitos sobre a taxa de câmbio nesta segunda. Alberto Fernández foi eleito novo presidente da Argentina nas eleições deste domingo (27). Com a ex-presidente Cristina Kirchner como vice na chapa, ele derrotou o atual mandatário, Mauricio Macri.

"O mercado já havia deteriorado a percepção de risco em relação a Argentina lá no começo de agosto, quando ficou bastante claro que Macri não iria se reeleger", disse Fernando Bergallo, diretor de câmbio da FB Capital.

Ainda no cenário externo, os mercados refletiam a concordância pela União Europeia (UE) de uma extensão para o prazo do Brexit, o que reduz riscos de uma saída desordenada do Reino Unido do bloco europeu.

Além disso, o mercado segue de olho nas negociações entre China e Estados Unidos em torno da guerra comercial. Nesta segunda, o presidente norte-americano, Donald Trump, disse que espera assinar uma parte significativa do acordo comercial com a China antes do previsto, mas não deu detalhes sobre o cronograma.

Na cena doméstica, a expectativa é de mais cortes na taxa básica de juros da economia, a Selic, com apostas de que o Banco Central reduza para uma mínima recorde de 5% na quarta-feira, de acordo com a visão unânime em pesquisa da Reuters com economistas.

No entanto, Jefferson Laatus, estrategista-chefe do Grupo Laatus, avaliou à Reuters que o cenário não é muito promissor para que o dólar continue operando abaixo do nível de R$ 4 no curto prazo.

Fonte: G1 | Reuters

Publicidade