Indicado para diretoria do BC defende acesso a crédito com juros baixos

O economista João Manoel Pinho de Mello, indicado para a diretoria de Organização do Sistema Financeiro do Banco Central (BC), avaliou nesta terça-feira (26), durante sabatina na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, que o sistema financeiro brasileiro está sólido, mas acrescentou que isso "não basta".

Para poder assumir o cargo de diretor do BC, seu nome tem de ser aprovado pela CAE e, depois, pelo plenário do Senado Federal.

"O sistema financeiro deve dar acesso a crédito a juros baixos. Para isso, é essencial que o risco de conceder empréstimos seja baixo e que haja forte competição entre os credores", declarou ele.

Apesar de a taxa básica de juros, a Selic, estar no menor patamar da história, e, 6,5% ao ano, as instituições financeiras ainda cobram taxas elevadas.

Em algumas linhas de crédito, os juros são próximos de 300% ao ano. A redução dos juros bancários é considerada um dos desafios da nova equipe econômica.

Dados do BC mostram que os quatro maiores conglomerados bancários do país detinham, no fim de 2017, 78% de todas as operações de crédito feitas por instituições financeiras no país. No ano passado, o lucro dos maiores bancos do país cresceu. É o caso do Bradesco, do Itaú, do Santander, e do Banco do Brasil.

"A taxa de juros é alta sempre que o risco de conceder crédito for alto. A experiência brasileira é prova cabal dessa afirmação. Sempre que demos segurança às garantias subjacentes aos empréstimos, a taxa de juros caiu fortemente", declarou Pinho de Mello.

Ele acrescentou que isso aconteceu com consignação em folha de pagamento para o crédito pessoal; com a alienação fiduciária para o financiamento de automóveis e imóveis; com o patrimônio de afetação para o financiamento à construção civil e com a duplicata eletrônica. Disse que as mudanças em análise no Congresso, como o Cadastro Positivo, caminham nessa direção.

Fonte: G1 | Alexandro Martello

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