Por que evitamos as informações negativas?

Muitos sustentam que quanto mais informação, melhores decisões. Ninguém discorda, mas e se as pessoas evitam certas informações caso sejam ruins?

Mesmo quando saem prejudicados pela ignorância, muitos de nós evitam dada informação se for negativa. Pessoas que estão fazendo dieta, por exemplo, deixam de verificar as calorias presentes antes de comer uma sobremesa suculenta.

Gestores muitas vezes também não querem saber de más notícias que contrariem suas decisões prévias. E até mesmo doentes muitas vezes tendem a evitar o diagnóstico do médico, demonstra um estudo de Russel Golman, David Hagmann e George Lowerstein, publicado no ano passado no Journal of Economic Literature.

Em um experimento citado no trabalho, estudantes tinham de decidir se gostariam de saber o resultado de um exame para o vírus da herpes ou pagar US$ 10 para não saber. Ambas as variedades da doença, dos tipos 1 e 2, são tratáveis, mas a segunda é considerada de cura mais difícil. De todo modo, qualquer um gostaria de saber se contraiu uma doença para fazer

Pois 5% dos participantes pagariam a quantia para não saber o resultado do exame do tipo 1 e 16% pagariam para evitar saber se tinham o tipo 2. Os pesquisadores também lembram que uma em cinco pessoas que fazem o teste do HIV nunca retornam para saber o resultado.

Esta atitude não é de todo ilógica. Ignorar as calorias presentes torna a decisão de comer uma sobremesa mais prazerosa. O investidor que apostou no longo prazo e ignora a baixa das aplicações numa crise provavelmente se sentirá menos tentado a sacar tudo e mudar a estratégia.

Até mesmo o caso extremo de não querer saber sobre uma doença é compreensível caso o risco nunca se confirme ou mesmo os sintomas demorem a surgir, em vez de passar a vida temendo ficar doente.

Mas, em geral, a ignorância é prejudicial. Não olhar o home broker embute o risco de descobrir tarde demais sobre perdas gigantescas no portfólio e, no caso de doenças, se atrasa a busca por um tratamento, fora a possibilidade de contaminar outras pessoas.

Baseados em estudos anteriores, os três pesquisadores compilam alguns motivos para agirmos assim. Basicamente, tentamos evitar o risco de nos decepcionar. Mas outras vezes é uma forma de lidar com a ansiedade ou mesmo de tentar manter a moral em alta.

Outros fatores, como ideologia ou querer ser aceito em um determinado grupo também pesam, mas, ao analisar a negação das mudanças climáticas, o trabalho aponta para um fator muito mais irracional.

É uma ameaça séria à humanidade, corroborada por dezenas de trabalhos científicos. Mesmo assim pessoas de diferentes posições políticas discordam dos cientistas sobre o quanto o clima é uma ameaça, filtrando as informações que confirmem seus pontos de vista. Em consequência, a maior parte dos países vem ignorando o problema.

De modo geral, as pessoas filtram o que querem saber para viver de determinada maneira. Mas estar atento este truque mental ajuda a não se privar de informações valiosas as suas decisões.

Fonte: G1 | Samy Dana

Publicidade