O que seus contatos no Facebook dizem sobre você

Com mais de 2 bilhões de usuários, o Facebook é, como todos sabemos, uma maneira de estar em contato com amigos, fazer negócios, organizar eventos e participar do debate político, entre muitas atividades, etc. Mas também é um gigantesco projeto social e, para cientistas, a rede social é o maior banco de dados da história sobre comportamento humano, registrando como interagimos uns com os outros.

Michael Bailey, um pesquisador do próprio Facebook, junto com Rachel Cao, Theresa Kuchler, Johannes Stroebel e Arlene Wong, professores de universidades americanas usaram os dados para estudar a forma como lidamos com nossos contatos. Os resultados estão publicados na edição atual do Journal of Economic Perspectives.

Os autores criaram um Índice de Conectividade Social (SCI na sigla original), permitindo explorar as conexões que todos temos dentro da rede social. Um exemplo: onde se localizam nossos amigos E nesse ponto, cruzando os dados dos 3.136 condados americanos entre si e também com cada país no mundo, surgiu uma descoberta interessante.

De cada dez amigos que um americano médio faz no Facebook, seis (na verdade, 6,3%) vivem a no máximo 160 quilômetros (a medida de 100 milhas, usada no estudo). Mas em alguns lugares, segundo o estudo, esse índice está bem abaixo, 4,6 (ou 46%), ou bem acima, 7,7 (77%).

Quanto mais baixo for este percentual, ou seja, cada pessoa tiver amigos mais distantes, melhor a renda, níveis de educação e mobilidade social no condado onde vive. E, o contrário também foi verificado, se as redes de amigos forem muito concentradas, pioram a renda, a mobilidade social e a escolaridade, além de aumento de problemas sociais como gravidez na adolescência e a menor expectativa de vida.

Para exemplificar, o estudo usa os condados de San Francisco e de Kern, na Califórnia. Ambos têm uma população de pouco menos de 1 milhão de pessoas, mas as semelhanças param por aqui.

Enquanto o condado de San Francisco abrange a cidade de San Francisco e ainda Oakland e San José e é um dos lugares mais ricos e cosmopolitas dos Estados Unidos, o rural e montanhoso condado de Kern é bem menos desenvolvido. E enquanto só 27% dos contatos dos moradores de San Francisco vivem a no máximo 80 quilômetros, em Kern, são 52%,

Bailey e os três pesquisadores explicam: além de nos conectar, a mensagem oficial, da empresa, o Facebook é uma gigantesca plataforma de negócios, permitindo superar distâncias e a barreira da língua. Contatos mais distantes sinalizam oportunidades em outras partes do país e do mundo.

Dois exemplos são o Uber e AirBnB, empresas criadas em San Francisco. Ambas operam da cidade, mas suas plataformas têm projeção mundial. Ter muitos moradores com uma rede de contatos mais distante, diz outra parte do trabalho, também se aplica a mais inovação.

Mas a rede de contatos explica por que alguns lugares são mais ricos do que os outros? Correlação e causalidade são diferentes. Mesmo assim o Índice de Conectividade Social abre caminho para cientistas sociais e comportamentais saberem mais sobre como nos contactamos e nos relacionamos. Que é como todos vivemos.

Fonte: G1 | Samy Dana

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