Por que procrastinamos?

Aquele amigo estava com uma tarefa no trabalho, tinha um prazo até a sexta-feira para entregar um trabalho, mas na quinta passou o dia navegando na internet. Agora, atrasado, fica se maldizendo: “Por que sou assim?”

Na verdade, é humano ter em algum grau tendência à procrastinação, o que varia é o grau. Em um estudo de 2001, entre 70% e 95% de um grupo de estudantes admitiram ser procrastinadores. Atrasar as tarefas, constatam trabalhos das últimas quatro décadas, é algo mais intenso na vida estudantil. Na vida adulta, o número de procrastinadores cai e fica entre 15% e 20%.

Saber a razão é mais complicado. Sigmund Freud achava que procrastinamos por medo da morte - adiar uma tarefa no fim sempre nos deixaria com algo por fazer. Já Richard Thaler avalia que procrastinamos por uma concepção, errada, de que o trabalho que teremos de fazer nunca é importante como o que estamos fazendo agora. E com isso haja atraso…

Thaler atribui, por exemplo, à procrastinação nossa dificuldade de poupar para a aposentadoria. Muitos trabalhadores americanos acabam cedendo aos gastos de agora diante do pensamento de que simplesmente não vão conseguir fazer economia. O mesmo se dá em outras partes da vida.

Piers Steel, um psicólogo canadense, compilou 200 estudos de psicologia, economia e outras áreas produzidos sobre procrastinação ao longo de 86 anos, entre 1920 e 2006. Ele encontrou uma forte ligação entre o hábito de procrastinar e a impulsividade, que nos faz o tempo todo passar tarefas à frente daquela que precisamos fazer.

Procrastinadores, segundo o estudo, publicado no Psychological Bulletin da American Psychological Association. costumam ser muitas vezes de um perfeccionismo irracional, mais distraídos e ansiosos. Também vivem mais estressados têm menos autocontrole.

Mas procrastinar é sempre ruim? Deepti Sharma, Muktiashupragya Sharma e Trapti Sharma, três pesquisadores indianos, defendem que a procrastinação, se planejada, pode até ser benéfica.

Eles aplicaram questionários a 100 estudantes, perguntando por que atrasavam o início de tarefas. Nas respostas, 30% deles revelavam que procrastinavam não por preguiça ou para escapar de tarefas tediosas, as desculpas mais comuns, mas para ter mais tempo de se dedicar e entregar um trabalho melhor.

Procrastinar, no caso deles, era uma maneira de gerenciar o tempo. Podiam estar atrasados, mas não desmotivados, e quando trabalhavam na tarefa, empregavam energia e perseverança, com um melhor resultado. O trabalho foi publicado no ano passado pelo International Journal of Humanities and Social Sciences.

E como você pode combater a procrastinação? Uma maneira é ter em mente que pode terminar a tarefa. Espalhar lembretes de que deve fazer o trabalho funcionou em um dos estudos citados Por Piers Steel. Estudantes também eram menos dados a procrastinar quando se envolviam em tarefas coletivas. Você pode tentar uma destas técnicas. Ou uma outra. Só não vale mesmo procrastinar.

Fonte: G1 | Samy Dana

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