Com incerteza eleitoral, risco-país do Brasil é o 2º que mais cresce na América Latina

Ainda sem ter se recuperado da crise, a economia brasileira sofre também os efeitos do calendário eleitoral. Diante da indefinição sobre o próximo governo - e, consequentemente sobre a política econômica a ser adotada a partir do próximo ano - vem crescendo a percepção de risco dos investidores internacionais em relação à economia brasileira. Entre as principais economias latino-americanas, o risco do Brasil só subiu menos que o da Argentina.

O dólar em alta é o indicativo mais visível do crescimento da desconfiança dos investidores em relação ao Brasil. Na segunda-feira, a moeda dos EUA fechou no maior valor em mais de 2 anos, a R$ 3,95, enquanto investidores buscavam destinos mais seguros que o Brasil para o seu dinheiro.

Todos os países emergentes têm sofrido com a piora das condições da economia mundial. O que tem definido a intensidade da reação dos investidores são os desequilíbrios macroeconômicos de cada economia. No caso brasileiro, há uma incerteza com o futuro das contas públicas e, se o próximo governo vai seguir com o ajuste fiscal.

Desde janeiro, o risco-país do Brasil medido pelo CDS (Credit Default Swap) subiu cerca de 80 pontos, enquanto o da Argentina - o país enfrenta uma grave crise econômica e já recorreu ao Fundo Monetário Internacional (FMI) neste ano - avançou 315 pontos.

O CDS é uma espécie de seguro contra calote e, portanto, funciona como uma das principais medições de riscos entre as economias. Quanto mais alto é o CDS, portanto, mais arriscado o país é considerado pelos investidores.

No início do ano, o risco-país do Brasil estava no patamar de 162 pontos. No pior momento do ano, em meados de junho, o CDS chegou ao patamar de 280 pontos na esteira da resposta do governo à greve dos caminhoneiros e com o ambiente político já incerto. Nos últimos dias, o risco-país rodava o patamar de 240 pontos.

A recente piora mais intensa na percepção de risco da economia brasileira fica evidente quando se analisa o desempenho dos países considerados mais ajustados da região. No Chile, por exemplo, o CDS subiu apenas três pontos este ano. No México, a alta foi de 13 pontos.

"O Brasil tem uma vulnerabilidade grande na área fiscal e há uma incerteza em como essa questão vai ser conduzida a partir do ano que vem com um novo governo", afirma o economista da consultoria Tendências Silvio Campos Neto. "Os países menos afetados são aqueles que têm as contas públicas ajustadas e uma política monetária que consegue fazer o trabalho de forma correta", diz.

Fonte: G1 | Luiz Guilherme Gerbelli (Adaptado)

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