Truques do restaurante: por que homens comem mais em grupo?

O Food Lab da Universidade de Cornell, nos Estados Unidos, é um dos centros mais interessantes de pesquisa comportamental, produzindo estudos a respeito de como comemos ou nos comportamos no restaurante. É a fonte, por exemplo, do trabalho que mostra que, diante de um garçom acima do peso, as pessoas são mais propensas a pedir a sobremesa.

O objetivo agora era saber por que homens são mais glutões quando comem em grupo. Para investigar a hipótese, Kevin Kniffin e Brian Wansink montaram dois experimentos. O trabalho foi publicado em 2016 na Frontiers of Nutrition.

Nos Estados Unidos, competições de gosto discutível de quem come mais comida são populares, com prêmios para os vencedores que chegam a 10 mil dólares. Todo ano, por exemplo, a TV exibe o famoso Concurso de Comer Cachorro-Quente.

O primeiro teste envolveu 19 estudantes. Oito deles - quatro homens e quatro mulheres - iriam disputar quem aguenta comer mais buffalo wings, asinhas de frango à milanesa, por meia hora. Mas havia regras:

Dois homens e duas mulheres comeram sozinhos numa sala.

Outros dois homens e duas mulheres comeram diante de uma plateia de 12 estudantes, que reagiam com palmas e gritos de apoio ao esforço.

Um terceiro grupo, formado por mais 11 estudantes, apenas comeu o quanto quis, sem competir com ninguém e sem plateia.

Como prêmio, os pesquisadores ofereceram uma medalha de plástico sem valor. Ou seja, não havia uma compensação material para a vitória. Mesmo assim os competidores, homens e mulheres, consumiram quase quatro vezes mais asas de galinha do que os não competidores.

Os homens foram os maiores comilões, porém, diante da plateia, consumiram 30% a mais do que aqueles que comeram sozinhos. Já mulheres, em público, consumiram 33% menos comida do que as outras competidoras.

Imagine que você é dono de uma pizzaria ou uma churrascaria que serve no sistema rodízio. Um salão cheio de clientes homens estimula que eles comam mais – e custem mais para o seu bolso – do que se estivessem sozinhos. Colocar as mesas com homens em salas menores, sugerem as conclusões, os levaria a comer menos. O inverso ocorre com as mulheres. Em público, elas tendem a comer menos.

Homens e mulheres também relataram aos pesquisadores como se sentiam após a comilança. Os homens estavam estimulados pela competição enquanto as mulheres se disseram constrangidas. O trabalho sugere o que já se imaginava: homens podem comer mais para se destacar diante de outros homens enquanto as mulheres não fazem o mesmo em relação a outras mulheres. Mas por que?

Um segundo experimento foi realizado: outros 93 estudantes tiveram de determinar se achavam os competidores inteligentes, atrativos, românticos, saudáveis ou fortes. Uma nota 1 significava “discordo totalmente” e a 9, “concordo totalmente”. Eles também foram convidados a opinar sobre o número de filhos achavam que um competidor comilão teria ao chegar aos 50 anos.

Se a maioria das mulheres que participavam do experimento visse neles maior capacidade reprodutiva, seria um sinal de que a comilança ao menos chama a atenção delas. Mas se não, seria uma competição pura e simples entre homens, sem o benefício da atração feminina.

Apenas os homens acharam que aquele que comem mais são mais fortes e mais férteis enquanto os dois grupos consideraram as mulheres comilonas menos românticas. A maioria das mulheres deu nota baixa para os glutões.

Comer mais ou não exagerar? O estudo é mais um a desafiar a ideia, tradicional de alguns livros de economia, de que consumimos de modo racional. Para homens, o alerta: nas festas, churrascos e outras ocasiões especiais, a tendência é sair do controle. Alguns avançam o sinal do mesmo jeito, mas comer demais não vai fazer ninguém mais atraente.

Fonte: G1 | Samy Dana

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