Após trégua, dólar avança e fecha a R$ 3,60 pela 1ª vez em quase 2 anos

O dólar voltou a fechar em alta após ter dado uma trégua a uma sequência de altas, e alcançou o patamar de R$ 3,60 nesta sexta-feira (11) pela primeira vez em quase dois anos. O mercado buscou a moeda para se proteger de um cenário instável no exterior, com a disparado do petróleo, e também de incerteza sobre o ciclo de queda da taxa de juros no Brasil.

A moeda dos Estados Unidos avançou 1,55% sobre o real, a R$ 3,6011. Veja mais cotações. Já o dólar turismo era vendido a R$ 3,76. A última vez que o dólar encerrou a sessão acima deste patamar foi em 31 de maio de 2016, quando foi cotado a R$ 3,6142.

Na semana, a moeda acumulou alta de 2,20% e, no mês de amio, sobe 2,81%. Desde o início do ano, o dólar tem valorização de 8,68%.

O dólar turismo era vendido a R$ 3,76. Na quinta-feira (10), a moeda terminou o dia em queda de 1,36% sobre o real, vendida a R$ 3,5461.

"Existe uma trajetória clara de valorização do dólar no mundo. A alta do petróleo sugere inflação e aperto monetário (nos Estados Unidos)", afirmou à Reuters o superintendente da Correparti Corretora, Ricardo Gomes da Silva.

Nas últimas semanas, os mercados globais reagiram diante da percepção de que os juros poderiam subir mais intensamente nos Estados Unidos em meio ao cenário de inflação e atividade mais fortes.

O mercado busca pistas sobre o rumo dos juros nos EUA porque, com taxas mais altas, o país se tornaria mais atraente para investimentos aplicados em outros mercados, como o Brasil, motivando uma tendência de alta do dólar em relação ao real.

Segundo analistas, o mercado também se protege contra um cenário em que o Banco Central evitaria dar um sinal mais claro sobre fim do ciclo de queda dos juros (Selic). O BC anuncia a decisão sobre a Selic na próxima quarta-feira (16).

O mercado reagiu mal nesta semana a declarações do presidente da instituição, Ilan Goldfajn, que em entrevista à “GloboNews” classificou a subida do dólar como “normal” e manteve a porta aberta para mais queda da Selic.

Para Gustavo Rangel, economista-chefe do ING em Nova York, o que pode alterar novamente o valor relativo do real nas próximas semanas é a sinalização pelo BC sobre a política monetária, com riscos de adicionar “significativo” viés de baixa para o câmbio caso opte por preservar a possibilidade de mais quedas do juro.

Segundo ele, a depreciação do real nas últimas semanas ocorreu em parte também pela postura do BC quanto a isso.

 “A perspectiva para o real continua sob o peso do persistente risco político, que deve elevar a demanda por ‘hedge’ cambial antes das eleições de outubro”, afirma o economista em nota a clientes, o qual vê até lá chances de o dólar voltar a testar máximas históricas em torno de R$ 4.

A cena política continuou no radar, a poucos meses da eleição presidencial que tem se mostrado muito indefinida. Os mercados financeiros temem que um candidato considerado menos comprometido com o ajuste fiscal possa despontar.

O Banco Central brasileiro vendeu, pela sétima sessão, a oferta integral de até 8.900 contratos em swaps cambiais tradicionais, equivalentes à venda futura de dólares, rolando US$ 3,115 bilhões do total de US$ 5,650 bilhões que vence em junho.

Se mantiver e vender esse volume diário até o final do mês, o BC terá rolado integralmente os contratos que vencem no mês que vem e colocado o equivalente a US$ 2,8 bilhões adicionais.

Fonte: G1 | Valor PRO

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