Serviços perdem força e devem contribuir para segurar inflação nos próximos anos

Brasil está diante de um cenário inflacionário incomum. Se por vários anos os serviços pressionaram a inflação, serão eles que vão desempenhar um papel fundamental de manter os preços em um patamar mais controlado daqui para frente.

De forma geral, a inflação tem surpreendido positivamente desde o ano passado. Em março, o índice acumula alta de 2,68% em 12 meses. Boa parte da melhora, no entanto, ocorreu até agora por causa da deflação de alimentos - ou seja, queda de preços.

“Nós esperamos uma recomposição dos preços dos alimentos este ano e, dessa forma, a inflação de serviços deve colaborar bastante nos próximos anos (para segurar os preços)”, afirma a economista e sócia da Tendências Alessandra Ribeiro.

A inflação de serviços já mostrou desaceleração nas recentes leituras do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em março, por exemplo, acumulava alta de apenas 3,9% no acumulado em 12 meses. No auge, já chegou a rodar no patamar de 9%.

A expectativa é que essa fraqueza da inflação de serviços continue neste e no próximo ano e deverá ficar próxima de 3,5%, segundo cálculos da Tendências Consultoria Integrada. Se confirmado, esse patamar vai ser equivalente ao que se observava no início da década passada. Em 2000, por exemplo, fechou a 3,25%.

A inflação de serviços costuma responder ao desempenho da economia. Se a atividade econômica acelera e a taxa de desemprego cai, os preços de serviços costumam subir. O oposto também ocorre. Se há aumento do desemprego, os serviços tendem a desacelerar já que há menos gente disposta a consumir. No trimestre encerrado em fevereiro, o desemprego seguia elevado. A taxa de de desemprego foi de 12,6% e alcançou 13 milhões de pessoas.

 

Fonte: G1 | Luiz Guilherme Gerbelli e Marta Cavallini (Adaptado)

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