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Crescimento de 1% em 2017 mostra recuperação consistente da economia, dizem especialistas

O crescimento de 1% do PIB em 2017 ainda é tímido, mas reforçou a segurança de que os anos de recessão ficaram para trás, avaliam os economistas consultados pelo G1.

Para o economista Claudio Considera, pesquisador associado do FGV-IBRE, o resultado positivo era previsto, mas o número surpreendeu. "É surpreendente que a economia tenha tido essa reação durante esse ano. Você não sai na recessão de 3% negativo para 1% positivo. Na verdade você cresceu 4%. As previsões eram de que íriamos reagir, mas 0,2%. Cresceu 1%, que é cinco vezes o valor esperado. É surpreendente que a economia tenha tido um desempenho tão bom".

Após dois anos apertando o cinto, o consumo das famílias cresceu em 2017 e contribuiu para a alta do PIB. "A inflação em queda foi um elemento importantíssimo. As pessoas tiveram aumento real de renda por conta da queda da inflação. Isso movimenta a economia", afirma Cláudio Considera.

Para José Roberto Mendonça de Barros, a queda da inflação ao longo do ano e a expectativa de manutenção da mesma em patamares baixos, são os principais fatores para a recuperação do consumo das famílias.

Depois sucessivos anos de queda nos investimentos, uma leve melhora no setor eleva a confiança dos economistas para os resultados de 2018. "O crescimento dos investimentos mostrou a primeira variação interanual positiva desde o primeiro trimestre de 2014. A continuidade dessa retomada de investimento vem através de modernização maquinário", diz Rodolfo Margato, economista do Santander.

Claudio Considera, do IBGE, concorda que, mesmo negativo, mostra melhora. "O investimento, embora ainda esteja com uma taxa negativa, ele é menos negativo do que já foi. No primeiro

Para os economistas entrevistados, o cenário de recuperação anima e a previsão para este ano é de mais crescimento, que pode ser ainda maior após as eleições.

"O impacto vai ser mais significativo de 2019 em adiante, mas há um crescimento já constatado para 2018. O impacto desse crescimento depende do grau de incerteza, do debate, e isso pode influenciar no componente de investimento no segundo semestre. Pode reduzir o ímpeto de crescimento na economia, mas não suficiente para abalar o crescimento do ano", acredita o economista do Santander.

"A eleição influi negativamente, mas não é determinante. Em 2017, mesmo sem confiança na política, o PIB aumentou. Se você considerar que o governo liberou FGTS para estimular o consumo, continua sendo um jeito antigo de fazer economia. Isso não adianta. O novo governo tem que aumentar a oferta, aumentar a competitividade”, sugere o economista Roberto Luis Troster.

"Nós acreditamos que o crescimento este ano pode surpreender e ser ainda maior que o consenso, alcançando 3,5% em 2018. Se o presidente eleito em 2018 for reformista, podemos entrar em um período de crescimento sustentado", diz José Roberto Mendonça de Barros.

"Não tem jeito, você não recupera quase 10% em um ano. Então você vai olhar para trás e dizer “ainda não chegamos a 2010”. Mas e daí? Chegamos a resultados muito piores antes. Estamos recuperando", afirma Claudio Considera.

Fonte: G1 | Olívia Henriques e Gabriela Sarmento (Supervisão de Marina Gazzoni) (Adaptado)

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