CNI estima aceleração do PIB industrial em 2018, com alta de 3%

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) apresentou nesta quinta-feira (14) uma previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) industrial de 3% para o ano que vem. Se a estimativa do Informe Conjuntural do 4º Trimestre de 2017 da entidade se confirmar, será a maior expansão do parque industrial brasileiro em cinco anos.

A confederação, entretanto, baixou de 0,8% para 0,2% a previsão de crescimento do PIB do setor em 2017. O PIB é a soma de todos as riquezas produzidas no país durante um determinado período.

"A indústria da construção ainda não conseguiu se reativar. Nossa expectativa é de que só vai mostrar alguma melhoria no ano que vem, e ainda assim moderada. Neste ano, vai cair 5%, o que puxa o resultado da indústria para baixo", explicou o chefe da Unidade de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco.

No próximo ano, explicou o economista, a CNI vê uma melhora no segmento da construção civil, com um crescimento de 2% para o setor – na comparação com 2017 – além de reativação da indústria "na esteira das exportações primeiro", mas também com alta do consumo doméstico.

No PIB consolidado de 12 meses, a Confederação Nacional da Indústria prevê um crescimento de 1,1% para este ano e de 2,6% no ano que vem.

Nessas estimativas, a entidade considera a aprovação da reforma da Previdência Social no Congresso Nacional no começo do ano que vem.

"O impacto da reforma da Previdência é enorme. Inicialmente, para 2018, a contaminação é mais pelo lado das expectativas. A não aprovação põe em risco o ajuste fiscal [das contas públicas] e um outro mecanismo de ajuste terá de ser feito para ser respeitada a PEC do teto", advertiu Castelo Branco.

O presidente da CNI, Robson Braga de Andrade, também fez um alerta durante a divulgação do informe da indústria. Segundo o dirigente, a aceleração e a sustentação do crescimento dependem da volta dos investimentos.

"É fundamental criar as condições para a reativação do investimento privado, o que exige o aprofundamento das reformas estruturais voltadas para a melhoria do ambiente de negócios e para a competitividade das empresas" (Róbson Andrade)

Segundo a CNI, as estimativas para o próximo ano indicam que o mercado de trabalho deve seguir em recuperação e a taxa média anual de desemprego – medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) – cairá para 11,8%. A taxa ficou em 12,6% no trimestre encerrado em agosto.

Já a inflação, de acordo com as previsões da entidade, deverá fechará este ano em 2,9% (abaixo do piso de 3% do sistema de metas de inflação), e, em 4,4%, em 2018.

Pelo sistema brasileiro, a meta central de inflação é de 4,5% para 2017 e 2018, com um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima e para baixo, de modo que a inflação pode ficar entre 3% e 6% sem que seja formalmente descumprida.

Para a taxa básica de juros da economia, a Selic, a Confederação Nacional da Indústria estimou que deverá chegar ao fim do ano que vem em 6,75%. Atualmente, a Selic está em 7% ao ano, a mais baixa da série histórica do Banco Central.

O saldo positivo da balança comercial (exportações menos importações) deve alcançar o recorde histórico de US$ 66 bilhões neste ano, e recuar para US$ 54 bilhões em 2018, prevê a entidade da indústria.

Fonte: G1 | DF | Alexandro Martello

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