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Como é bom ter inflação baixa

O aumento da tarifa da banda vermelha da conta de luz será muito alto, escandaloso até, já que chega a 43%. O valor acionado nas contas passará de R$ 3,50 para R$ 5,00 a cada 100 kWh consumidos. O ajuste busca equilíbrio entre a oferta e a demanda de energia no país, num momento em que temos reservatórios das usinas hidrelétricas em baixa e a necessidade de acessar a energia mais cara produzida no mercado.

A proposta da Aneel, agência reguladora do setor elétrico, traz outras mudanças relevantes no funcionamento da bandeira tarifária, que podem ajudar a gerir melhor a dança dos preços entre um patamar e outro, a depender das condições de geração de energia e do seu custo. De qualquer forma, no curto prazo, a conta já vai ficar bem mais salgada, antes que qualquer um de nós entenda um benefício possível da mudança.

O impacto na inflação será relevante também, podendo chegar a 0,11 pontos percentuais no IPCA deste ano. Com isso, o índice oficial pode se afastar mais um pouco dos 3%, piso limite permitido pelo sistema de metas para inflação adotado no país, mas sem colocar o controle inflacionário em risco. Dependendo de como andar a carruagem, ou de como vierem as chuvas em 2018, novos aumentos podem acontecer. No mínimo, o nível 2 da bandeira vermelha, este que ficou 43% mais caro agora, se manterá acionado por mais tempo.

No ano que vem, o IPCA deve ficar bem próximo de 4%, segundo estimativa mais recente dos analistas do mercado financeiro. A meta de inflação em 2018 é de 4,5%, o que dá uma folga para absorver os choques que vierem. Mas não dá para relaxar muito na atenção sobre todo cenário que pode provocar efeitos negativos na inflação. Até porque, no caso específico das contas de luz, o desequilíbrio do setor elétrico não será resolvido apenas com aumento de tarifa.

A desorganização causada pelo destempero do governo de Dilma Rousseff foi tamanha que será preciso muito capital e mudanças profundas de regulação do setor para garantir a retomada dos investimentos. A privatização da Eletrobrás e outras concessões que virão, além das que já foram feitas, terão que ser eficientes o suficiente para reverter a lógica perversa de cobrar apenas do consumidor os desequilíbrios do setor.

Diante deste cenário, a melhor notícia diante do reajuste da bandeira tarifária está exatamente na inflação. Imaginem se ela estivesse alta, acima da meta e gerando efeitos de contaminação na economia? Já vivemos este pesadelo em 2015 quando o governo foi obrigado a soltar a porteira do controle de preços que foi aplicado nos anos anteriores e, além disso, foi obrigado a reajustar a conta de luz em 70% (em média!) depois de fracassar a redução forçada das tarifas. Voltamos a registrar IPCA de dois dígitos depois de 15 anos.

Agora com IPCA rodando 3%, ou mesmo 4% em 2018, há espaço para acomodar choques inesperados – inesperados, repito. Os choques provocados, como testemunhamos no governo petista, são nefastos e custam ainda mais caro. Para evitar que a conta de luz fique sujeita mais vezes ao período de chuvas fracas, só o investimento salva. Até que ele venha com força e gere efeitos benéficos para a população, vai levar tempo. Com a capacidade hidrológica que temos no Brasil, é até desaforo chegarmos a esses tempos passando aperto.

Fonte: G1 | Thais Herédia

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