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Oração, sim. Milagre, não

Henrique Meirelles pediu que oremos pela criação de empregos no Brasil. Num país de governo laico, mas predominantemente cristão, o pedido do ministro da Fazenda não chega ser estranho, mas pede um complemento. Para que a recuperação da atividade econômica, que engatinha agora, seja capaz de gerar contratações de trabalho, oração até vale, mas não vale milagre.

O novo ciclo que parece estar em curso ainda depende de muita ação dos homens, especialmente os que ocupam o poder público, para proporcionar a alegria esperada por Meirelles.

Em vídeo gravado para um evento de uma igreja da Assembleia de Deus, Meirelles afirmou que compartilha com os mesmos valores da igreja, os valores “da lei de Deus.

Infelizmente, ou felizmente, depende do ponto de vista, o que nós precisamos mesmo é de uma lei do Congresso Nacional – as de Deus não nos atendem, especificamente no que tange a economia.  Uma lei que seja aprovada pelo parlamento que controle os gastos públicos com a previdência social e evite a explosão dos gastos públicos na próxima década.

Uma outra lei que desamarre o orçamento público para que a gestão dos cofres públicos se modernize, priorize e seja mais eficiente.

Há ainda outras leis que podem garantir um melhor ambiente de negócios que pudesse atrair o capital de longo prazo para o país – este sim gera empregos de boa qualidade e por bom tempo.

Talvez a oração devesse ter sido dirigida à classe política. Já que apelo racional, ou ético, não resolve, quem sabe um divino?

Fonte: G1 | Thais Herédia

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