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Trabalho sem carteira assinada não é necessariamente informal

Está acontecendo o que nenhum economista previu. O mercado de trabalho está reagindo e gerando empregos na economia. A PNAD Contínua, calculada pelo IBGE, mostrou que a taxa de desemprego caiu para 12,8% no trimestre terminado em julho. É o segundo mês consecutivo de recuo do indicador e a curva que se desenha no comportamento do mercado de trabalho pode ser uma nova trajetória.

“Vejo que se configura esse cenário. Eu não mudo minha cabeça de que será uma reação lenta, mas está começando a retomada da economia e o emprego está reagindo a ela. Nós temos incerteza política, mas não temos incerteza econômica. O quadro está muito definido com queda da inflação e dos juros e isto está ajudando as pessoas a se organizarem, consumirem, contratarem”, disse o economista chefe do banco BBM, Leandro Hothmuller.

O que atrapalhou a vida dos economistas e por isso ninguém previu a recuperação do emprego ainda no primeiro semestre do ano foi a informalidade. Os modelos que misturam indicadores e sinalizam o que pode acontecer com a taxa de desemprego não conseguem aferir o que se passa no mercado informal, nem com a decisão das pessoas de trabalharem por conta própria. Como a reação está acontecendo fora do registro formal nas carteiras de trabalho, a surpresa aparece.

“O sinal é bom. Isto é empresário, é prestador de serviços. Se essas pessoas estão trabalhando mais, alguém está demandando. Não é um sinal negativo. O trabalho por conta própria não necessariamente é informal, ele apenas não foi registrado na carteira de trabalho”, ressalta Rothmuller.

O registro formal de emprego no Brasil é a Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS). A informalidade, ou seja, o emprego fora deste registro, é uma marca da economia brasileira e pode levar anos para ser superada, pelo menos a um nível mais civilizado. Ao que tudo indica, porém, o perfil do mercado de trabalho, especialmente depois da reforma trabalhista, vai passar por mudanças importantes e a CTPS pode deixar de ser representativa da “formalidade” do emprego.

Enquanto aprendemos sobre esta nova realidade, o fato é que a economia brasileira está demandando mais e muita gente passou a responder a isto. A geração de 1,4 milhão de empregos nos últimos cinco meses, com crescimento relevante do “conta própria”, mostra que o ritmo, mesmo que lento, da retomada, tem sido suficiente para acionar trabalhadores. Além deste movimento, que é importante, há também a volta da renda aos lares de milhões de brasileiros que foram marginalizados pela pior crise econômica da história.

Fonte: G1 | Thais Herédia

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